terça-feira, 30 de julho de 2013
Permaneço na terrível barreira do limite a ser quem sou, não ajo, pois agir implicaria numa série de acusações das quais os dedos apontariam a mim. Nem triste, tampouco feliz, porém sozinha. Devolva-me o meu eu, pois necessito dele para viver, sobreviver tem se tornado torturante. Lembranças infantis, apenas lembranças infantis. Dentro duma estrada que não escolhi, afinal quem em sã consciência escolheria o lado avesso da vida?
Tão minha, tão sua
Ela faz sentir-me bem e especial, tem um jeito de mulher e de menina, assim ao mesmo tempo. Tão adulta, e tão criança. Dos meus segredos, sabe quase todos. Nas minhas crises existenciais me mostra um novo caminho, rumo ao meu verdadeiro ser. Tem um olhar sedutor, e também triste....Eu abri o meu eu, entreguei o meu lado avesso, fiz dela minha companhia. Num lugar distante, com uma presença tão viva. O desejo sangra, a felicidade é incompleta...
terça-feira, 2 de julho de 2013
CAPÍTULO 3 - A MADRUGADA - A PRIMEIRA CARTA DE AMOR
Eram duas da madrugada quando o telefone da casa de Marina começa
a tocar. Ela levanta-se ainda sonolenta para atendê-lo.
- Aló
- Aló. Onde você se meteu? – Pergunta Gabriela furiosa do outro
lado da linha.
- Que? Onde eu me meti? – Diz Marina em tom sarcástico.
- Liguei pra você o dia inteiro, a merda do seu celular desligado.
Eu fiquei preocupada contigo.
- Não precisa se preocupar não. Eu sei me virar sozinha. –
Responde secamente.
- Eu irei me preocupar sim, você é a mulher da minha vida. Você
precisa me escutar.
- Já lhe escutei 3 anos da minha vida, chega uma hora que cansa,
não achas?
- Eu amo você... – A voz de Gabriela saia entre choros.
Marina queria se demonstrar forte, mas sentia seu coração partido
ao ouvir a voz de Gabriela ao telefone. Uma dor ia lhe apertando o peito, e a
vontade de chorar já não cabia dentro dela e se transformava em lágrimas que
escorriam pelo seu rosto. Ambas choravam na linha pelos próximos cinco minutos
que se seguia.
- Já é tarde, você deve estar com sono. Boa noite – Marina disse
num tom mais calmo.
- Eu quero ouvir sua voz...
- Não é um bom momento para conversamos. Eu ligo outra hora. Boa
noite. – Sem esperar pela resposta e sem dar tempo para que a mesma ocorresse
Marina desliga o telefone e volta para sua cama.
Em seu quarto era impossível não se lembrar de Gabriela,
observava as paredes com os discos de vinis pendurados, e lembrava-se do dia em
que Gabriela a ajudou decorar aquele ambiente. Era uma tarde de verão, e Marina
acabara de se mudar para aquela pequena casa. Gabriela a ajudou na mudança, e
ambas arrumaram aquele quarto. Marina pintou uma parede de preto, e Gabriela
escreveu algumas frases sobre a mesma. Ali estava Marina, olhando para aquele
ambiente e recordando-se de todos os abraços, de todas as noites em que esteve
ali com Gabi. Sentia uma sensação estranha e um vazio tomando conta do seu ser.
Luiza acordara por volta das três da manhã, acendeu um cigarro e
deu inicio a leitura de mais um capítulo de Aquele Dia Junto Ao Mar. O romance
relatava o amor entre Duda e Gaby, e todas as descobertas que a levavam para
caminhos difíceis e conturbados. Luiza imaginava todas as cenas ali descritas,
e perguntava-se sozinha na possível chance de viver um amor parecido com o das
duas garotas. O livre mexia com a libido de Luiza, e ela imaginava todos os
dias em como e com quem seria a sua primeira vez. Luiza estava num capítulo
excitante do romance, e seu corpo arrepiava-se a cada verso lido. Sentia um
desejo enorme de se tocar, e assim o fez.
Marina ainda acordada recorda da garota dos cabelos de fogo, e
pensa em mandar-lhe uma mensagem de texto, agradecendo-a pela companhia. Ao
olhar o relógio nota que são quase quatro da manhã e resolve deixar os
agradecimentos para outra hora. Ela caminha até a cozinha, bebe um gole de
vinho e volta para sua cama, e assim cai no sono.
O sono começa a chegar à Luiza, ela coloca o marcador numa página
de seu livro e adormece.
Capítulo 2 - Lembranças – A Primeira Carta de Amor
No caminho de volta para casa Marina relembrava como havia sido o
seu dia, e ria sozinha. Saíra pela manhã para encontrar Gabriela, haviam
discutido e decidiram terminar o relacionamento. Caminhava para sua casa e
encontrara Luiza, a desconhecida que desabafou e a ouviu. A desconhecida com
quem passou o final da tarde e o começo da noite.
Luiza tomara um banho
demorado, e subira para seu quarto. Ao som de Faz Parte do Meu Show relembrava
de Marina, e se sentia melhor após desabafar seus problemas com ela. Marina, a
morena, alta, dos cabelos longos e negros, a mulher de 22 anos que a acolheu em
seu abraço.
Marina chegara em casa. A casa que dividia com uma amiga. Foi até a cozinha bebeu um gole de vinho e se
direcionou até seu quarto. Acabara de sair do banho e deu de cara com Isis, sua
colega.
- Oi, está tudo bem? Você parece assustada... – Questionou
Marina.
- Eu quem pergunto se está tudo bem. A Gabriela ligou diversas
vezes atrás de você. Parecia nervosa e chorando ao telefone. Tentei te ligar, o
que houve com seu celular? O que houve entre vocês?
- Está tudo bem. Meu celular está sem bateria, tivemos uma
discussão pela manhã e terminamos. - e
virou-se para se vestir.
- Que?
- Que o que?
- Terminaram? Assim “terminamos”?
- É, terminamos.
- Você está bem, Marina?
- Estou, Isis.
- Você me fala que terminou com a Gabriela, ela liga aqui
diversas vezes nervosa, você chega a essa hora e diz que está tudo bem?
- Mas está tudo bem. Terminamos, não dava mais. A vida é assim.
Já sofri muito desde a traição. O que esperava?
- Já desconfiava de um término próximo, mas você me parece tão
bem para algo tão recente. Onde esteve no final da tarde?
- Encontrei uma garota perdida e solitária por aí, desabafamos
juntas, fomos a um bar, a levei até a casa dela e agora estou aqui conversando
contigo.
- Uma garota perdida?
- Sim, Luiza o nome dela.
- Você não está bem mesmo, Marina - Disse Isis balançando a
cabeça.
- Tive um dia maluco hoje, senta ai na cama pra gente conversar.
Marina contou à Isis tudo que aconteceu no decorrer daquele dia,
e Isis realmente ficou surpresa com a reação de Marina diante do término com
Gabriela. Apesar de já suspeitar da possível separação, Isis acreditava que
Marina fosse sofrer um bocado com isso, mas sentiu-se melhor ao ver a amiga
feliz por ter conseguido superar isso num período tão curto, e ficou curiosa ao
ouvir falar de Luiza.
Luiza estava num capítulo empolgante do livro “Aquele dia junto
ao mar” quando sua mãe bate na porta de seu quarto. Ela levanta-se abre a porta
e volta novamente para cama. Sua mãe lança lhe um olhar de reprovação.
- Onde estava até essa hora da noite? – Pergunta sua mãe.
- Na rua. – Responde secamente Luiza enquanto seus olhos
permanecem fissurados diante do livro.
- Na rua? Essa é a resposta mais convincente que você tem?
- Você perguntou onde eu estava, e eu já respondi. – Retruca
Luiza deitada com as pernas cruzadas e os olhos ainda presos ao livro.
- Você acha isso certo?
Luiza responde sua mãe com uma frase dita por Cazuza:
- “Existe o certo, o errado e todo resto”.
Sua mãe sai do quarto e encosta a porta. Luiza permanece sua
leitura por alguns minutos, mas logo deixa o livro de lado e olha o número de
Marina em seu celular. O rosto de Marina lhe vem a mente, ela recorda de seu
abraço, e minutos depois cai no sono.
Isis já havia saído de seu quarto, e Marina agora pensava em
Gabriela. Recordava dos momentos bons em que esteve ao lado dela, e uma lágrima
escorre pelo seu rosto. Sabia ela que apesar de parecer forte naquelas
primeiras horas, Gabriela ainda era dona de um pedaço muito grande de todos os
seus sentimentos. E que esquece-la não seria uma tarefa tão fácil. Por outro
lado recordava-se também de Luiza, e isso arrancava-lhe um sorriso no cantinho
da boca. Numa mistura de sentimentos, Marina dorme tranquila.
A Primeira Carta de Amor - Capítulo 1 - Um dia frio, onde tudo começou
Era uma tarde chuvosa e o relógio apontava quase 3 três da tarde
quando Marina caminhava pela rua apressadamente e avistou uma garota baixa, de
olhos negros, cabelos de fogo, curtos e repicados. Luiza, era o nome daquela
garota que a fez acalmar os passos e acompanha-la com o olhar. Marina acabara
de sair de uma discussão enorme que dera fim ao seu relacionamento, e lá estava
ela observando uma estranha.
Luiza tinha 18 anos e caminhava sem rumo naquela tarde chuvosa.
Sua mãe descobrira há pouco tempo sobre sua sexualidade e desde então sua vida
se encontrava vazia e triste.
Marina não tirara os olhos de Luiza desde o momento em que a
avistou, e notando o semblante triste e vazio da garota caminhou a sua direção.
Luiza estava sentada num banco da praça observando a chuva cair, quando sentiu
que alguém se aproximava e sentava-se ao seu lado, e logo ouviu uma voz.
- Olá - Dissera Marina,
e Luiza num tom seco e frio respondeu:
- Oi.
Marina que também encontrava-se triste optou pelo silêncio nos
dez minutos que se seguiu...
- Quer um cigarro? - Perguntou Luiza enquanto tragava um LM de
menta.
- Aceito.
As duas tragaram em silêncio, e a cada tragada a dor ia se
anestesiando...
- O que faz aqui sentada num banco enquanto a chuva molha seu
corpo? Você pode pegar um resfriado, sabia?
- O mesmo que você - Respondeu Luiza.
- Ah é? E você sabe o que estou fazendo aqui?
- Teu semblante não nega que estas saboreando a solidão.
- É a primeira vez que saboreio a solidão na companhia de uma
estranha.
Um silencio se segue, e o vento move para próximo do olho uma
mecha do cabelo de Marina...
O vento batia gelado, a chuva já havia parado. Ambas estavam
molhadas e com frio.
- Podemos conversar em outro lugar? - Sugeriu Marina.
- Um lugar tranquilo de preferencia - E sorriu.
Marina a levou para um pequeno bar. Ambas conversaram sobre tudo
que estava machucando-as. Marina contou à Luiza sobre sua antiga namorada,
Gabriela. Contou que a namorara por 3 anos e que a amava muito, mas que depois
que Gabriela a traiu o seu relacionamento nunca mais foi o mesmo, contou sobre
todas as brigas que acorreram após aceita-la mesmo sabendo da traição, e
finalizou seu desabafo de amarguras contando-lhe sobre o término do
relacionamento que ocorrera hoje horas antes de encontrar Luiza naquela praça.
Luiza a consolou como pode, apesar do seu jeito frio e inexperiente.
Apesar de fechada e sucinta com as palavras, Luiza entre pausas e
choros contou à Marina sobre a descoberta de sua mãe a respeito de sua
sexualidade. Contou que a mãe a viu há algumas semanas com uma garota ao final
de uma balada, e que a partir daí sua vivência dentro de casa nunca mais foi a
mesma. Relatou sobre as agressões que a mãe havia cometido, sobre a rejeição
que vinha recebendo do único membro da família com quem havia contato. Luiza,
calou-se e chorou baixinho. Marina a abraçou e afagou seus cabelos de fogo
acalmando-a e relatando sobre a descoberta de sua mãe há muitos anos atrás e
contando-lhe que havia sido parecido com tudo que Luiza vivia no momento, mas
que atualmente sua mãe já estava mais tranquila e acolhedora em relação a isso,
e finalizou dizendo que tudo era uma questão de tempo, e que esse momento fazia
parte.
Um tempo se passou e já estava escurecendo, Marina começara a
ficar preocupada com a volta de Luiza para casa, e sugeriu sua companhia para
leva-la. Luiza não queria voltar.
- Não quero voltar, deixe-me por aqui mesmo.
- Está tarde, e não deixarei uma dama sozinha nessa escuridão
perigosa.
- Lá em casa tem sido difícil...
- Encare de frente. Seja você mesma. Essas poucas horas que
estive contigo percebi o quão especial tu és. Não temas.
- Nunca imaginei abrir minha vida à uma estranha - E sorriu.
Marina sorriu de volta e perguntou:
- Aceita minha cia?
- Você me convenceu - Respondeu Luiza e ambas sorriram.
Marina a levou até em casa, e no caminho foram se conhecendo um
pouco mais. Luiza gostava de rock nacional, era apaixonada por música popular
brasileira, estava prestes a prestar vestibular para estudar Letras, tinha uma
queda pelo comunismo de Marx, adorava História, e era apaixonada por cachorros.
Marina tinha gostos parecidos com os de Luiza, estudava História e pretendia
conhecer diversas partes do mundo.
A conversa se tornava empolgante, mas foi interrompida pela
chegada de Luiza em casa. Ambas trocaram telefones e ali começava um elo entre
elas.
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