terça-feira, 2 de julho de 2013

Capítulo 2 - Lembranças – A Primeira Carta de Amor

No caminho de volta para casa Marina relembrava como havia sido o seu dia, e ria sozinha. Saíra pela manhã para encontrar Gabriela, haviam discutido e decidiram terminar o relacionamento. Caminhava para sua casa e encontrara Luiza, a desconhecida que desabafou e a ouviu. A desconhecida com quem passou o final da tarde e o começo da noite.
 Luiza tomara um banho demorado, e subira para seu quarto. Ao som de Faz Parte do Meu Show relembrava de Marina, e se sentia melhor após desabafar seus problemas com ela. Marina, a morena, alta, dos cabelos longos e negros, a mulher de 22 anos que a acolheu em seu abraço.
Marina chegara em casa. A casa que dividia com uma amiga.  Foi até a cozinha bebeu um gole de vinho e se direcionou até seu quarto. Acabara de sair do banho e deu de cara com Isis, sua colega.
- Oi, está tudo bem? Você parece assustada... – Questionou Marina.
- Eu quem pergunto se está tudo bem. A Gabriela ligou diversas vezes atrás de você. Parecia nervosa e chorando ao telefone. Tentei te ligar, o que houve com seu celular? O que houve entre vocês?
- Está tudo bem. Meu celular está sem bateria, tivemos uma discussão pela manhã e terminamos. -  e virou-se para se vestir.
- Que?
- Que o que?
- Terminaram? Assim “terminamos”?
- É, terminamos.
- Você está bem, Marina?
- Estou, Isis.
- Você me fala que terminou com a Gabriela, ela liga aqui diversas vezes nervosa, você chega a essa hora e diz que está tudo bem?
- Mas está tudo bem. Terminamos, não dava mais. A vida é assim. Já sofri muito desde a traição. O que esperava?
- Já desconfiava de um término próximo, mas você me parece tão bem para algo tão recente. Onde esteve no final da tarde?
- Encontrei uma garota perdida e solitária por aí, desabafamos juntas, fomos a um bar, a levei até a casa dela e agora estou aqui conversando contigo.
- Uma garota perdida?
- Sim, Luiza o nome dela.
- Você não está bem mesmo, Marina - Disse Isis balançando a cabeça.
- Tive um dia maluco hoje, senta ai na cama pra gente conversar.
Marina contou à Isis tudo que aconteceu no decorrer daquele dia, e Isis realmente ficou surpresa com a reação de Marina diante do término com Gabriela. Apesar de já suspeitar da possível separação, Isis acreditava que Marina fosse sofrer um bocado com isso, mas sentiu-se melhor ao ver a amiga feliz por ter conseguido superar isso num período tão curto, e ficou curiosa ao ouvir falar de Luiza.
Luiza estava num capítulo empolgante do livro “Aquele dia junto ao mar” quando sua mãe bate na porta de seu quarto. Ela levanta-se abre a porta e volta novamente para cama. Sua mãe lança lhe um olhar de reprovação.
- Onde estava até essa hora da noite? – Pergunta sua mãe.
- Na rua. – Responde secamente Luiza enquanto seus olhos permanecem fissurados diante do livro.
- Na rua? Essa é a resposta mais convincente que você tem?
- Você perguntou onde eu estava, e eu já respondi. – Retruca Luiza deitada com as pernas cruzadas e os olhos ainda presos ao livro.
- Você acha isso certo?
Luiza responde sua mãe com uma frase dita por Cazuza:
- “Existe o certo, o errado e todo resto”.
Sua mãe sai do quarto e encosta a porta. Luiza permanece sua leitura por alguns minutos, mas logo deixa o livro de lado e olha o número de Marina em seu celular. O rosto de Marina lhe vem a mente, ela recorda de seu abraço, e minutos depois cai no sono.

Isis já havia saído de seu quarto, e Marina agora pensava em Gabriela. Recordava dos momentos bons em que esteve ao lado dela, e uma lágrima escorre pelo seu rosto. Sabia ela que apesar de parecer forte naquelas primeiras horas, Gabriela ainda era dona de um pedaço muito grande de todos os seus sentimentos. E que esquece-la não seria uma tarefa tão fácil. Por outro lado recordava-se também de Luiza, e isso arrancava-lhe um sorriso no cantinho da boca. Numa mistura de sentimentos, Marina dorme tranquila. 

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