Eram duas da madrugada quando o telefone da casa de Marina começa
a tocar. Ela levanta-se ainda sonolenta para atendê-lo.
- Aló
- Aló. Onde você se meteu? – Pergunta Gabriela furiosa do outro
lado da linha.
- Que? Onde eu me meti? – Diz Marina em tom sarcástico.
- Liguei pra você o dia inteiro, a merda do seu celular desligado.
Eu fiquei preocupada contigo.
- Não precisa se preocupar não. Eu sei me virar sozinha. –
Responde secamente.
- Eu irei me preocupar sim, você é a mulher da minha vida. Você
precisa me escutar.
- Já lhe escutei 3 anos da minha vida, chega uma hora que cansa,
não achas?
- Eu amo você... – A voz de Gabriela saia entre choros.
Marina queria se demonstrar forte, mas sentia seu coração partido
ao ouvir a voz de Gabriela ao telefone. Uma dor ia lhe apertando o peito, e a
vontade de chorar já não cabia dentro dela e se transformava em lágrimas que
escorriam pelo seu rosto. Ambas choravam na linha pelos próximos cinco minutos
que se seguia.
- Já é tarde, você deve estar com sono. Boa noite – Marina disse
num tom mais calmo.
- Eu quero ouvir sua voz...
- Não é um bom momento para conversamos. Eu ligo outra hora. Boa
noite. – Sem esperar pela resposta e sem dar tempo para que a mesma ocorresse
Marina desliga o telefone e volta para sua cama.
Em seu quarto era impossível não se lembrar de Gabriela,
observava as paredes com os discos de vinis pendurados, e lembrava-se do dia em
que Gabriela a ajudou decorar aquele ambiente. Era uma tarde de verão, e Marina
acabara de se mudar para aquela pequena casa. Gabriela a ajudou na mudança, e
ambas arrumaram aquele quarto. Marina pintou uma parede de preto, e Gabriela
escreveu algumas frases sobre a mesma. Ali estava Marina, olhando para aquele
ambiente e recordando-se de todos os abraços, de todas as noites em que esteve
ali com Gabi. Sentia uma sensação estranha e um vazio tomando conta do seu ser.
Luiza acordara por volta das três da manhã, acendeu um cigarro e
deu inicio a leitura de mais um capítulo de Aquele Dia Junto Ao Mar. O romance
relatava o amor entre Duda e Gaby, e todas as descobertas que a levavam para
caminhos difíceis e conturbados. Luiza imaginava todas as cenas ali descritas,
e perguntava-se sozinha na possível chance de viver um amor parecido com o das
duas garotas. O livre mexia com a libido de Luiza, e ela imaginava todos os
dias em como e com quem seria a sua primeira vez. Luiza estava num capítulo
excitante do romance, e seu corpo arrepiava-se a cada verso lido. Sentia um
desejo enorme de se tocar, e assim o fez.
Marina ainda acordada recorda da garota dos cabelos de fogo, e
pensa em mandar-lhe uma mensagem de texto, agradecendo-a pela companhia. Ao
olhar o relógio nota que são quase quatro da manhã e resolve deixar os
agradecimentos para outra hora. Ela caminha até a cozinha, bebe um gole de
vinho e volta para sua cama, e assim cai no sono.
O sono começa a chegar à Luiza, ela coloca o marcador numa página
de seu livro e adormece.

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