Era uma tarde chuvosa e o relógio apontava quase 3 três da tarde
quando Marina caminhava pela rua apressadamente e avistou uma garota baixa, de
olhos negros, cabelos de fogo, curtos e repicados. Luiza, era o nome daquela
garota que a fez acalmar os passos e acompanha-la com o olhar. Marina acabara
de sair de uma discussão enorme que dera fim ao seu relacionamento, e lá estava
ela observando uma estranha.
Luiza tinha 18 anos e caminhava sem rumo naquela tarde chuvosa.
Sua mãe descobrira há pouco tempo sobre sua sexualidade e desde então sua vida
se encontrava vazia e triste.
Marina não tirara os olhos de Luiza desde o momento em que a
avistou, e notando o semblante triste e vazio da garota caminhou a sua direção.
Luiza estava sentada num banco da praça observando a chuva cair, quando sentiu
que alguém se aproximava e sentava-se ao seu lado, e logo ouviu uma voz.
- Olá - Dissera Marina,
e Luiza num tom seco e frio respondeu:
- Oi.
Marina que também encontrava-se triste optou pelo silêncio nos
dez minutos que se seguiu...
- Quer um cigarro? - Perguntou Luiza enquanto tragava um LM de
menta.
- Aceito.
As duas tragaram em silêncio, e a cada tragada a dor ia se
anestesiando...
- O que faz aqui sentada num banco enquanto a chuva molha seu
corpo? Você pode pegar um resfriado, sabia?
- O mesmo que você - Respondeu Luiza.
- Ah é? E você sabe o que estou fazendo aqui?
- Teu semblante não nega que estas saboreando a solidão.
- É a primeira vez que saboreio a solidão na companhia de uma
estranha.
Um silencio se segue, e o vento move para próximo do olho uma
mecha do cabelo de Marina...
O vento batia gelado, a chuva já havia parado. Ambas estavam
molhadas e com frio.
- Podemos conversar em outro lugar? - Sugeriu Marina.
- Um lugar tranquilo de preferencia - E sorriu.
Marina a levou para um pequeno bar. Ambas conversaram sobre tudo
que estava machucando-as. Marina contou à Luiza sobre sua antiga namorada,
Gabriela. Contou que a namorara por 3 anos e que a amava muito, mas que depois
que Gabriela a traiu o seu relacionamento nunca mais foi o mesmo, contou sobre
todas as brigas que acorreram após aceita-la mesmo sabendo da traição, e
finalizou seu desabafo de amarguras contando-lhe sobre o término do
relacionamento que ocorrera hoje horas antes de encontrar Luiza naquela praça.
Luiza a consolou como pode, apesar do seu jeito frio e inexperiente.
Apesar de fechada e sucinta com as palavras, Luiza entre pausas e
choros contou à Marina sobre a descoberta de sua mãe a respeito de sua
sexualidade. Contou que a mãe a viu há algumas semanas com uma garota ao final
de uma balada, e que a partir daí sua vivência dentro de casa nunca mais foi a
mesma. Relatou sobre as agressões que a mãe havia cometido, sobre a rejeição
que vinha recebendo do único membro da família com quem havia contato. Luiza,
calou-se e chorou baixinho. Marina a abraçou e afagou seus cabelos de fogo
acalmando-a e relatando sobre a descoberta de sua mãe há muitos anos atrás e
contando-lhe que havia sido parecido com tudo que Luiza vivia no momento, mas
que atualmente sua mãe já estava mais tranquila e acolhedora em relação a isso,
e finalizou dizendo que tudo era uma questão de tempo, e que esse momento fazia
parte.
Um tempo se passou e já estava escurecendo, Marina começara a
ficar preocupada com a volta de Luiza para casa, e sugeriu sua companhia para
leva-la. Luiza não queria voltar.
- Não quero voltar, deixe-me por aqui mesmo.
- Está tarde, e não deixarei uma dama sozinha nessa escuridão
perigosa.
- Lá em casa tem sido difícil...
- Encare de frente. Seja você mesma. Essas poucas horas que
estive contigo percebi o quão especial tu és. Não temas.
- Nunca imaginei abrir minha vida à uma estranha - E sorriu.
Marina sorriu de volta e perguntou:
- Aceita minha cia?
- Você me convenceu - Respondeu Luiza e ambas sorriram.
Marina a levou até em casa, e no caminho foram se conhecendo um
pouco mais. Luiza gostava de rock nacional, era apaixonada por música popular
brasileira, estava prestes a prestar vestibular para estudar Letras, tinha uma
queda pelo comunismo de Marx, adorava História, e era apaixonada por cachorros.
Marina tinha gostos parecidos com os de Luiza, estudava História e pretendia
conhecer diversas partes do mundo.
A conversa se tornava empolgante, mas foi interrompida pela
chegada de Luiza em casa. Ambas trocaram telefones e ali começava um elo entre
elas.
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