O
importante é que todos tomem conhecimento sobre as reivindicações feitas pelos
professores e a partir desse momento elaborarem argumentos cabíveis para que se
defenda um determinado ponto de vista. O
Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo divulgou uma
nota no dia 19 de abril esclarecendo os motivos pelos quais estão em greve: “Os
professores estaduais estão em greve por reajuste salarial, pela jornada de
piso, por condições de trabalho, pelo fim da precarização do trabalho
(categoria “O”), contra a privatização do hospital do Servidor\ IAMSPE e outras
reivindicações.
A
greve é necessária porque o governo não negocia e não atende nossas
reivindicações. Sem negociar, decidiu propor irrisórios 2% de reajuste, mas diz
que são 8,1%. Na verdade 6% já estão previstos desde 2011. O reajuste de 2%
significa apenas R$0,19 (dezenove centavos) por hora-aula para o PEBI e R$0,22
(vinte e dois centavos) por hora-aula para o PEBII.
No
mínimo, o governo deveria além dos 2% (que completam a reposição de inflação
desde junho de 2011) dar mais 5% referentes ao que nos ficou devendo em 2012,
ou seja, pelo menos 13,5%.
As
más condições de trabalho, jornadas estafantes, violência nas escolas e outros
fatores têm provocado o adoecimento e a falta de professores nas escolas. Os
estudantes e suas famílias estão sendo prejudicados. A luta, portanto, é de
todos.”
Pois
bem, tenho lido e escutado pessoas que provavelmente não sabem o mínimo de
informação sobre o motivo pelo qual os professores aderiram à greve, e que sem
informações alguma têm criticado de maneira baixa não apenas esses
profissionais, mas todos os outros que para reivindicar seus direitos aderem o
mesmo método.
Deparei-me
ontem com uma crítica da qual dizia que os profissionais que aderem a greve
estão preocupados apenas com os seus direitos e se esquecendo dos seus deveres;
intrigada perguntei quais seriam esses deveres que estariam esses profissionais
deixando de cumprir, e a mesma falou que um médico quando adere uma greve está
deixando de atender um paciente, e por esse motivo estaria ele deixando de
salvar uma vida, logo, deduzi que ela queria dizer que os professores aderindo
a greve estão deixando de lecionar, sendo assim não estão cumprindo com seus
deveres. A mesma ainda citou um fato de que perdeu um parente porque um médico
estava em greve; pois bem o que talvez essa pessoa não saiba é que o médico que
deixou de atender o paciente estava lutando por melhorias na área da saúde, que
esse médico que ela tanto julga por estar participando de uma greve estava lutando
contra a falta de leitos em hospitais. Tentei mostrar a ela essa realidade, e a
mesma disse “Nesse dia havia leitos, o que não havia era médicos”. Será que se
os médicos estivessem nos hospitais haveria leitos? Acredito que se os médicos
não estivessem na greve, o paciente morreria por falta de leitos e não por
falta de médicos. O mesmo vale aos professores, eles não estão em greve porque
acordaram e decidiram que não iriam trabalhar, se estão em greve é porque há motivos
para que se ocorra a greve. Outro argumento utilizado para defender o ponto de
vista foi de que as greves de nada adiantariam, que nada iria mudar. Realmente,
talvez isso não mude. Não mude porque a grande maioria da população que deveria
dar apoio e reivindicar junto está em casa vendo novela. Eu fico feliz que os
jovens da época da ditadura não pensavam assim, e hoje ainda que tenhamos
problemas, temos o direito de expressar a nossa opinião sobre algo. Imagine se
teríamos a "DEMOCRACIA" caso não fosse estudantes e demais pessoas
lutando pelo fim do regime militar. E quanto à independência do nosso país?
Quanto à abolição da escravatura? Como seria o mundo hoje se não fossem essas
lutas? O que será dos futuros professores e da educação brasileira se os
professores não saírem nas ruas para lutar por isso?
O
grande problema é que há pessoas que apenas se preocupam com seus deveres,
esquecendo-se dessa maneira os deveres que tem o Governo com seu povo. Portanto,
é de extrema importância que o movimento grevista não seja aderido apenas por
profissionais da área, e sim, que nós estejamos juntos nessa causa.

May, vamos lá que o texto vai ser grande! rs
ResponderExcluirVocê conhece bem minha posição sobre a liberdade de expressão, a luta pelos direitos e o cumprimento de deveres... Afinal depois de 1 ano escutando minhas "lorotas" deve ter tido clareza dos pontos que defendo.
Em primeiro lugar quero colocar aqui a minha opinião como aluna, atual em instituições particulares, e antiga no decorrer de minha formação na escola pública.
Atualmente tenho uma opinião formada sobre o que deve ou não ser feito e como e quando ações podem gerar benefícios ou malefícios para minha vida, portanto não considero a falta de um professor (ainda mais os que eu pago) algo que me deixa feliz, muito pelo contrário, fico muito enfezada, afinal normalmente essa falta me fez perder meu tempo (que atualmente é valioso, mesmo que seja dormindo rs).
Agora como antiga aluna nas instituições públicas pelas quais passei, seria muita hipocrisia da minha parte dizer que ficava triste quando um professor faltava e eu ia embora para casa mais cedo ou tinha tempo de conversar com minhas amigas sobre o final de semana, fazer a lista de meninos mais bonitos da escola, jogar truco rs e várias coisas "fúteis" que confesso ter feito na minha adolescência... (que vergonha! hehe):/ Greve então... Era apoio total aos professores, até porque na minha época, não houveram muitas, e dificilmente havia reposição das aulas, a escola fazia um "bem bolado" e estava tudo certo, portanto imaginava apenas os dias em que ficaria à toa em casa ou passeando por aí.
Aí um belo dia você chega na faculdade e encontra pessoas de todos os tipos, vindas de diferentes instituições e classe social e descobre que poderia ter brigado muito mais pelo seu ensino que justamente por ser público deveria ser de qualidade ainda mais vindo de um dos países que mais cobra impostos de seus cidadãos. É revoltante? Com certeza! Mas eu poderia reclamar naquela época? Não! Afinal se estava tendo dificuldade em algo foi justamente porque não havia aproveitado mais o que tinha disponível em termos de ensino e nem reclamei por meus direitos quando deveria.
O próximo ponto de vista que quero colocar é o de professora. Atualmente não trabalho para o ensino público, mas confesso que adoraria voltar, talvez em breve me aventure! Mas tenho pontos de vista distintos também em relação aos atos grevistas.
Já participei de greves, e posso dizer que me prejudiquei financeiramente com isso, portanto repeito os professores que não aderem aos movimentos grevistas, pois além dos incômodos em se sentir culpada por não estar em sala de aula ainda sofremos com opiniões contrárias ao ato, e pior: quem tem família para sustentar não costuma se arriscar. Outro ponto: tenho minhas dúvidas em relação aos sindicatos de maneira geral (não só o dos professores) hoje o mundo virou um jogo de interesses e quem paga mais ganha, então já viu né?
Se estivesse no estado com certeza participaria da paralisação, mas não iria brigar e nem me juntar ao grupo na sua manifestação, primeiro porque não acredito que essa seja a melhor maneira de mudar alguma coisa, mas estaria desenvolvendo uma atividade de conscientização nas ruas, criando nas pessoas a vontade de brigar por seus direitos e fazendo-os entender que o que se pede é um dever do Estado diante do trabalho do professor e da qualidade do ensino destinado aos alunos.
Outra questão importante que justifica a minha não participação do ato é o meu questionamento sobre a participação efetiva e o gosto pelo trabalho de alguns colegas de profissão, pois eu sei que muita gente só entra na sala de aula por falta de opção e não por amor ao ensino. E quando me misturo a esse tipo de profissional, que não acredito, em uma manifestação acho que estou sendo muito incoerente com meus valores e permissiva ao fato de ver a educação de qualidade se tornando raridade pela falta de amor de muitos à profissão e isso não significa uma luta por direitos, mas uma luta por conveniência.
CONTINUANDO:
ResponderExcluirO problema é enorme e vai muito além das possibilidades docentes, acredito que o ato deveria partir da sociedade como um todo, pois estamos na era do conhecimento e os países que terão um futuro próspero e estão com o presente garantido são e serão aqueles que investem na educação de qualidade, mas no Brasil estamos só na fase da industrialização, ou seja, privatização dos nossos recursos, exploração dos mesmos, venda desses recursos com nomes diferentes para os próprios brasileiros originalmente donos do espaço de onde o recurso foi retirado. Será que uma educação de qualidade é tão interessante assim, já que se eu tiver pessoas que reclamam só quando acontece algo com um parente ou quando precisam repor aulas aos sábados é menos importante do que se eu conscientizar pessoas que os remédios que elas tomam poderiam ter valores mais acessíveis, se eu conscientizar de que os recursos estão sendo vendidos na nossa cara e o dinheiro vai pra qualquer lugar menos para o país e o desenvolvimento de sua estrutura, tornar consciente faz tornar questionador e o nosso governo detesta questionamentos, por isso nossa imprensa ainda sofre com poder ou não falar algo, ainda temos o HORÁRIO ELEITORAL OBRIGATÓRIO (estilo zorra total, onde os palhaços se apresentam e o público que pensa estar num circo - e vamos combinar que dá pra confundir esse país com um mesmo - elege o palhaço mais sincero e criativo). Professor é o de menos perto de tanta coisa que precisa ser mudada.
Nossa sociedade primeiro precisa entender que antes de qualquer coisa que ela já fez na vida houve um mestre (professor formal ou não) que o ensinou alguma arte/trabalho para que ganhasse o seu pão. Se os governantes tivessem tido uma educação de qualidade o país não estaria assim, se os médicos tivessem tido uma educação de qualidade a saúde não estaria assim e acima de tudo e o que mais me preocupa: se os professores estivessem tendo uma educação de qualidade a educação não estaria assim também.
É um problema antigo que agora para consertar precisa de muito mais do que uma greve e um aumento salarial de centavos. É triste, é uma vergonha, é revoltante, mas enquanto o povo não EXIGIR seus direitos de forma INTELIGENTE tudo vai continuar igual.
NÃO ESTOU COLOCANDO-ME CONTRA A GREVE, MAS ESTOU QUESTIONANDO A FORMA COMO DEVERÍAMOS NOS MANIFESTAR, NÃO É MOSTRANDO PARTES DO CORPO, NEM PARANDO AVENIDAS, FAZENDO PASSEATAS QUE VAMOS MUDAR O MUNDO, MAS SIM FAZENDO A DIFERENÇA NO NOSSO MODO DE MANIFESTAR, NO CARNAVAL O POVO PAGA, COLABORA, SE ORGANIZA, MAS NAS OUTRAS ATITUDES O BRASILEIRO É PASSIVO E IGNORANTE E SE EU NÃO COMBATER A IGNORÂNCIA PRIMEIRO NÃO É PARANDO MINHAS ATIVIDADES QUE VOU MUDAR ALGUMA COISA. POR QUE NÃO CRIAR UMA SEMANA DE CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA E ENSINAR AS PESSOAS SOBRE A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO? NESSE CASO SERIA MUITO MAIS EFETIVO E AOS POUCOS O NÚMERO DE CIDADÃOS CONSCIENTES IAM AUMENTANDO E PRESSIONANDO OS PODERES PÚBLICOS PARA MUDAR SUA POSTURA E RESPEITAR O SEU POVO. CRIAR CONSCIÊNCIA É O PRIMEIRO PASSO, DEPOIS O MANIFESTO TERÁ MAIS SENTIDO E SERÁ MENOS CRITICADO.
BEIJOS E PARABÉNS PELAS REFLEXÕES DE SEMPRE!